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Entrevista na íntegra concedida ao Jornal de Jales sobre: A Universidade em tempos de Pandemia

Aos 50 anos, Unijales se reinventa nestes tempos de pandemia

Pioneira no ensino superior na região, a Unijales está completando 50 anos. Muitas comemorações estavam previstas, mas, desde março, a instituição teve que direcionar todas as energias para um novo desafio: como funcionar em tempos de pandemia, já que, por determinação do Ministério da Saúde, as aulas presenciais foram suspensas em nível nacional.
Para decifrar como uma instituição cinquentenária vem encarando o desafio de continuar oferecendo conhecimento aos milhares de alunos, o Jornal de Jales ouviu a professora Rosangela Juliano Bordon Bigulin, diretora de graduação. (Deonel Rosa Junior) 


Nome completo: Rosangela Juliano Bordon Bigulin 
Formação: Graduada, Pós-Graduada Lato Sensu e Stricto Sensu  
Trajetória Profissional: Professora, Coordenadora de Curso e atualmente Diretora de Graduação do UNIJALES. 


Em que medida a pandemia de coronavírus atingiu a Unijales? 
O modelo de educação presencial adotado pela Unijales e que é seguido pela grande maioria das Instituições de Ensino Superior do país, teve sua rotina totalmente alterada em função da pandemia do coronavírus e, o vocábulo que se impôs para atender o momento foi, isolamento social. Diante dessa situação, ficou evidente que dois setores da instituição seriam os mais atingidos: o pedagógico e o financeiro. 
No pedagógico, a pandemia pegou todos de surpresa e a opção encontrada, para não interromper o semestre e prejudicar os alunos, foi antecipar as férias e, posteriormente suspender as aulas presencias e adotar o sistema das aulas remotas utilizando meios e tecnologias de informação. A situação só não ficou desesperadora, porque a Instituição, visando o credenciamento da modalidade EAD, já havia realizado investimentos na infraestrutura tecnológica e capacitações para seus funcionários e professores. Ofereceu, inclusive, um curso de Pós-Graduação Lato Sensu para todos, sem custo, denominado “Formação Docente em EaD” concluído no final de 2019.  
Não obstante já estarmos de certa forma preparados para enfrentar uma emergência que nos impusesse o uso das novas tecnologias, a mudança da rotina foi alterada de forma brusca exigindo de todos, funcionários, professores e alunos mudanças de hábito, reorganização do planejamento, criatividade e reinvenção de todo o trabalho pedagógico. O enfrentamento desta mudança não foi fácil. Muitos problemas surgiram e fomos aprendendo com os erros e acertos alheios e nossos.  
Do outro lado, no financeiro, o desafio foi estabelecer um equilíbrio entre o isolamento social e a manutenção da capacidade econômica da instituição. Sabíamos que ocorreria uma retração na receita pois o desemprego esvaziaria o bolso dos alunos que são, na sua quase totalidade, trabalhadores, e que normalmente pagam suas mensalidades com uma dose muita alta de esforço. Além da despesa da mensalidade escolar, eles precisam se concentrar no pagamento do essencial para sobreviver. Muitos teriam de decidir entre o ficar ou trancar a matrícula. Considerando que em torno de 90% dos alunos da Unijales possuem descontos que podem chegar até a 70% na mensalidade e com o propósito de mitigar esta situação que pode provocar um colapso financeiro da instituição, a estratégia foi disponibilizar para o aluno um canal de contato direto com o setor financeiro, para que cada caso de dificuldade de pagamento fosse analisado separadamente com o propósito de se evitar o trancamento da matrícula e/ou evasão do discente. No entanto, apesar de todo o esforço feito pela instituição, tanto o índice de inadimplência como o da evasão estão altos. A despeito deste quadro financeiro negativo e de todas as dificuldades que a empresa vem sofrendo, ela se mantém firme na disposição de manter o emprego de seus funcionários, até onde for possível. É para isto que estamos seguindo com rigor as orientações dos órgãos superiores, para que possamos voltar às atividades rotineiras o mais rápido possível e possamos continuar a cumprir nossa missão social. Acreditamos que esta situação vai passar e juntos vamos superar todos os obstáculos. 


Como a direção da Unijales reagiu no primeiro momento? 
Frente à situação totalmente inesperada e passado o primeiro momento de perplexidade que comparo à obra “O Grito” do artista norueguês Edvard Munch de 1893, optamos pela tomada de decisões urgentes, estabelecendo estratégias eficazes para enfrentar uma situação de guerra que consideramos, talvez, a mais importante desta década.  
A primeira decisão foi de cautela e opção de acatar as deliberações estabelecidas pelos órgãos superiores. Tivemos neste momento, a certeza de que o mais correto seria partir para o isolamento social que era o mais indicado pelos órgãos da saúde que, também, assim como nós, estavam atônitos com a situação da velocidade do contágio e buscando soluções para controlar a expansão da COVID-19. A direção da Unijales, portanto, juntamente com a mantenedora e outros setores da instituição, optou pelo fechamento temporário dos seus portões, já a partir do dia 17 de março seguindo a determinação da Portaria do MEC de nº 343 publicada no dia 19/03/2020. Tínhamos de ser rápidos, não podíamos hesitar pois o propósito era preservar vidas e estabelecer medidas que pudessem solucionar o problema de imediato, mirando dias melhores. 


Os professores abraçaram de pronto a decisão de partir para as aulas online ou houve resistências? 
Como todos nós, também os professores e coordenadores ficaram perplexos e preocupados com a situação que exigia mudança brusca, fruto da necessidade e não da oportunidade. Mesmo que a maioria dos docentes tivesse recebido capacitação para o uso das novas tecnologias, a insegurança para usá-las era grande entre todos. As ações no processo ensino-aprendizagem teriam de ser totalmente invertidas, colocando os docentes em uma situação inusitada: sair da educação presencial de uma forma inesperada para entrar de imediato em uma educação com o uso das aulas remotas. Apesar desta insegurança e da angústia de todos, não houve resistência. Houve sim, o compromisso com a educação, com o aluno e a coragem de enfrentar os desafios. Intensificaram a cooperação, assumindo com responsabilidade o papel de mentores da aprendizagem. Todos, coordenadores e professores, dentro das suas possibilidades e limitações, aceitaram o desafio de trabalhar em home office, cientes da complexidade que vai muito além de escolher um local simplesmente para instalar seu computador. Tiveram consciência da necessidade da transformação da sua rotina e da decoração da sua casa. Adaptaram um dos cômodos - sala, quarto ou até mesmo a cozinha – em sala de aula e mini estúdio. Além do computador, investiram em novas ferramentas como microfones, luminárias e até mesmo uma lousa, para poderem preparar suas aulas e, ao mesmo tempo, atender separadamente os alunos que necessitavam de orientações individuais. Se impuseram, sobretudo, um desafio permanente de criatividade, disciplina e agilidade. Eles, portanto, não só abraçaram a proposta do uso das aulas remotas, como se dedicaram totalmente ao intento de evitar que a transferência do ensino presencial para o ensino remoto fosse o menos traumático possível para os alunos. Procuram se reinventar e foram fundamentais para manter a instituição funcionando, mesmo que de forma remota. 


Qual foi a reação dos alunos? 
Inicialmente, também assustados e preocupados com uma possível queda na qualidade das aulas e com a possibilidade de não conseguirem cumprir com seus compromissos financeiros, as reações foram distintas: uns contra e outros a favor das aulas remotas. Muitos alegaram problemas como: não possuir internet; terem dificuldades para o acesso às aulas virtuais por não possuírem uma internet de qualidade; não conseguirem se concentrar distraindo com facilidade com a TV ligada, o telefone tocando, o cachorro latindo, o filho ou irmão gritando, as redes sociais; perdiam explicações quando a plataforma saia do ar; tinham dificuldade para entender a explicação do professor porque o som não estava audível ou a imagem desfocada; alegavam excesso de atividades entre tantos outros. Porém, à medida que os problemas chegavam ao setor de tecnologia da instituição e aos professores, as soluções iam se apresentando e os alunos, na sua maioria, cientes de que a única alternativa para o momento só podia ser esta, foram se adaptando, se reinventado e se preparando para o mundo do amanhã: o da tecnologia que exige algumas habilidades como independência para o aprender e cooperação. Não é o que queriam, mas entenderam que é o que podia ser feito para atender o momento.  
Se é incontestável a eficácia das aulas remotas nesse período de isolamento, não é possível negar quanta falta faz para o aluno a presença do professor. Saem, portanto vitoriosos desta situação a tecnologia, o professor, peça fundamental no processo ensino-aprendizagem e o aluno que, apesar das dificuldades, não desistir de continuar seus estudos, conseguindo concluir seu curso superior para entrar em um mercado de trabalho bem preparado e com capacidade de se reinventar para enfrentar situações inesperadas. 


Como a direção pedagógica e o corpo docente estão avaliando os alunos? 
A avaliação dentro do ensino presencial é uma das etapas do processo ensino aprendizagem que serve para informar o professor sobre a eficácia dos procedimentos por ele utilizados e sobre o desempenho do aluno quanto ao domínio do conteúdo e desenvolvimento de competências e habilidades. No ensino remoto não é diferente. O professor, durante este período da pandemia, enquanto trabalha com as aulas remotas, fará uso das plataformas digitais que registram a participação dos alunos, fazem relatórios e até a correção de determinadas tarefas. Utilizará, portanto, para a avaliação: os fóruns e outros diversos recurso da Plataforma Moodle; os estudos de caso; questionários; resenhas; trabalhos compartilhados e provas com respostas abertas, fechadas ou mistas e as aulas com encontro pelo Microsoft Teams, cuja capacitação foi realizada pela equipe de Tecnologia de Informação(TI) da instituição que não mediu esforços para apoiar os professores na execução das aulas on line. Estas tarefas proporcionarão aos docentes o feedabck da interação do aluno com a classe, da sua capacidade de aprender de forma independente, do seu nível de linguagem, do seu compromisso com a aprendizagem e do seu raciocínio lógico. Ao receber as tarefas, o professor faz as devidas considerações e devolve para o aluno para que ele consiga perceber onde errou e aprender com ele, concluindo que os erros, como diz Rubem Alves, mais nos beneficiam do nos prejudicam. É a partir desta avaliação que o professor deverá se organizar, para, quando do retorno às aulas presenciais, poder fazer as necessárias intervenções nas lacunas detectadas.  


Em sua opinião, o formato online é uma solução provisória para as instituições de ensino superior ou pode se transformar em algo definitivo? 
Por menor que seja o tempo de duração do isolamento social que a pandemia do coronavírus nos impõe, suas consequências já são notadas, em especial com relação ao uso das novas tecnologias. Em todos os setores elas foram necessárias e, em muitos, foram a solução para evitar situações desastrosas. Esse foi o caso da Educação. Nesta linha, posso afirmar com convicção que sim, o formato on line veio para ficar. O desafio que o momento nos impõe é importante para alçarmos voos mais altos em relação às técnicas. Vamos trabalhar agora pelo amanhã, integrando a educação à tecnologia e embarcar em uma nova realidade: o ensino híbrido. Nesse modelo que já é utilizado por algumas instituições, o aluno tem aulas presenciais e on line, combinando as vantagens de ambos, trazendo benefícios para o estudante, tais como: aprimoramento da criatividade, da concentração, da disciplina; otimização no uso de computadores e internet; ampliação do conhecimento sobre informática; desenvolvimento da autonomia e possibilidade de acompanhar a evolução da tecnologia e das mudanças na sociedade. 
Na educação híbrida, o aluno não deixa de ter os momentos de interação, colaboração e convívio presencial com professores e colegas, essenciais para sua formação socioemocional. A proposta é que esses dois momentos se complementem promovendo uma educação mais eficaz, interessante e condizente com os novos tempos. No entanto, é importante frisar que teremos espaço também para a educação totalmente EAD ou totalmente presencial, pois cada uma dessas modalidades tem suas próprias especificidades, sendo voltadas para públicos com características distintas. Vem, portanto, muita transformação por aí. 
Convicta dessas mudanças que virão, a Unijales, nesse momento que comemora 50 anos transformando vidas, não deixará de seguir essa sua tradição de inovação, mantendo-se fiel à sua missão: trabalhar pelo desenvolvimento cultural e social da região de Jales, formando profissionais e especialistas de nível superior, aptos para a inserção nos setores educacionais e profissionais. 



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